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Recursos Humanos 3 min de leitura 16 de outubro de 2026

Resistência à mudança: o problema está nas pessoas ou na forma como conduzimos as transformações?

porMagnus Mind

A mesma mudança, diferentes reações

Em artigo publicado pela Association for Talent Development (ATD), em maio de 2026, Christie Cooper explora a relação entre padrões comportamentais e a capacidade das pessoas de lidar com transformações.

A autora apresenta resultados de uma pesquisa realizada em 2023 com 1.684 participantes, identificando diferenças entre as percepções positivas e negativas sobre mudanças.

Pessoas com percepções positivas frequentemente demonstravam confiança, abertura a novas ideias e disposição para resolver problemas. Já aquelas com percepções negativas apresentavam maior hesitação, frustração e desconforto diante da incerteza.

Essas diferenças reforçam uma reflexão importante: não existe uma única maneira de experimentar uma mudança.

Para algumas pessoas, uma transformação representa oportunidade e autonomia. Para outras, pode significar perda de previsibilidade, necessidade de adaptação ou preocupação com o impacto nas relações de trabalho.

O papel dos padrões comportamentais

O artigo também aborda como as dimensões do DISC podem ajudar líderes a reconhecer necessidades diferentes durante processos de mudança.

Pessoas com tendências mais orientadas a resultados podem valorizar autonomia e objetivos claros. Outras, mais orientadas às relações, podem precisar compreender o propósito da transformação e sentir-se envolvidas no processo.

Há também aquelas que valorizam estabilidade, previsibilidade e segurança, enquanto outras preferem informações detalhadas, critérios objetivos e tempo para analisar as mudanças.

Essas tendências não devem ser interpretadas como categorias rígidas ou previsões sobre o comportamento individual.

Compreender padrões comportamentais não significa colocar pessoas em caixas. Significa ampliar nossa capacidade de reconhecer diferenças.

Cada indivíduo combina características, experiências, competências e circunstâncias que influenciam sua maneira de agir.

Por isso, conhecer essas tendências deve ser um ponto de partida para o diálogo, não uma conclusão definitiva sobre alguém.

Estamos preparando as pessoas ou apenas comunicando decisões?

Grande parte das organizações dedica tempo significativo ao planejamento das transformações: cronogramas, indicadores, apresentações, treinamentos e planos de comunicação.

Tudo isso é necessário. Mas será suficiente?

Uma comunicação bem estruturada não garante que todas as pessoas compreendam, aceitem ou estejam preparadas para a mudança.

Líderes precisam reconhecer que diferentes profissionais podem necessitar de diferentes formas de apoio.

Alguns precisam participar das decisões. Outros precisam compreender os motivos. Há quem valorize exemplos práticos, enquanto outros necessitam de espaço para expressar preocupações.

Essa sensibilidade não elimina a resistência, mas pode contribuir para conversas mais produtivas e processos de adaptação mais conscientes.

Da gestão da mudança à compreensão das pessoas

O grande desafio talvez seja deixar de enxergar a resistência como um obstáculo que precisa ser combatido e começar a compreendê-la como uma informação que merece ser investigada.

Uma dúvida pode revelar falta de clareza. Uma preocupação pode indicar riscos não considerados. Uma reação negativa pode sinalizar necessidades que ainda não foram atendidas.

Isso exige líderes capazes de escutar, observar e adaptar suas abordagens, sem abrir mão dos objetivos organizacionais.

Ferramentas de análise comportamental podem contribuir para essa compreensão, desde que utilizadas com responsabilidade, reconhecendo suas limitações e evitando rótulos.

Transformações organizacionais acontecem nos processos, mas ganham vida por meio das pessoas.

Talvez a pergunta mais importante não seja apenas como implementar uma mudança, mas como criar condições para que diferentes pessoas consigam participar dela.

Porque liderar transformações não é esperar que todos reajam da mesma maneira. É compreender que existem diferentes caminhos para chegar ao mesmo objetivo.


Referência

COOPER, Christie. Creating Change Readiness Through DISC and Behavioral Awareness. Association for Talent Development (ATD), 28 de maio de 2026.

Este artigo apresenta uma reflexão sobre liderança e comportamento humano a partir dos temas discutidos pela autora. As aplicações sugeridas não representam comprovação de que estilos DISC possam prever individualmente a resistência à mudança.

#Recrutamento e Seleção#DISC#Recursos Humanos

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